Museu da Ci�ncia - Universidade de Coimbra
OBJETO DO MÊS

1 a 28 de Fevereiro, 2026

AMETISTA: Os geodos gigantes do sul da América do Sul

A ametista é uma variedade do quartzo, reconhecida por sua coloração que vai do violeta à púrpura intensa. Essa cor especial é resultado da presença de pequenas quantidades de ferro em sua estrutura cristalina (Holden, 1925) e da ação da radiação gama natural ao longo de milhões de anos (Berthelot, 1906).

Seu nome deriva do grego "a-methystos", que significa "não bêbado". Na antiguidade, acreditava-se que a ametista afastava a embriaguez. Taças para beber eram por vezes esculpidas em ametista. Ao mesmo tempo, dizia-se que a cor do vinho tinto bebido nessas taças era aproximadamente a mesma da cor das próprias taças. Portanto, o vinho podia ser diluído com água sem que o bebedor percebesse, pensando que era o próprio material da taça que afastava a embriaguez.

Muito comum, em diversos ambientes. As ocorrências comercialmente mais importantes são em rochas vulcânicas, onde os cristais de ametista delineiam antigas cavidades de gás. Em veios hidrotermais de baixa e média temperatura associados a minérios de ferro. Forma-se uma bolha gigante dentro de um fluxo de lava derretida. Através de intensa pressão, calor e presença de ferro, milhões de minúsculos cristais de ametista começam a crescer. Tem sua formação também como crescimento tardio ("quartzo cetro") sobre quartzo em ambientes pegmatíticos e alpinos. Os cristais de ametista não atingem tamanhos muito grandes, sendo raros cristais com mais de 30 cm.

A peça exposta na Galeria de Minerais José Bonifácio D’ Andrada e Silva é proveniente do Rio Grande do Sul (Brasil). A região sul da América do Sul (Rio Grande do Sul e Uruguai) possui um registo exemplar de geodos de ametista, sendo originárias destas regiões a maioria dos geodos de ametista em museus ao longo do mundo. Os geodos desta região possui características únicas de beleza e forma e podem atingir mais de 6 metros de diâmetro.

Nº de inventário: Sil-1189

Referências:

Berthelot, M. (1906) Synthèse du quartzo améthyste; pesquisa sobre a textura natural ou artificial de quelques pierres preciosos sobre as influências radioativas. Comptes Rendus de l'Académie des Sciences: 143: 477-488.

Holden, Edward F. (1925) A causa da cor no quartzo fumê e na ametista. American Mineralogist, 10 (9) 203-252

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