A agulha magnética de Oersted
Foi com um instrumento análogo a este que o dinamarquês Hans Oersted (1777-1851) demonstrou pela primeira vez (c. 1820), que existia uma relação entre a electricidade e o magnetismo.
Oersted verificou que quando uma agulha magnética é colocada na proximidade de um fio metálico atravessado por uma corrente eléctrica, esta é desviada por um campo magnético induzido. Trata-se de uma descoberta crucial no campo do Eletromagnetismo.
O construtor deste simples mas muito pedagógico instrumento foi Edward Marmaduke Clarke (1791–1859), fabricante irlandês de instrumentos científicos que se estabeleceu em Londres, em 1833.
Apesar de pouco conhecido, Edward Clarke foi um empreendedor construtor e negociante de instrumentos científicos e um entusiasta divulgador de ciência. O seu nome é associado, principalmente, a uma máquina magneto-elétrica, inventada pelo próprio, da qual existe um exemplar nas coleções do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra.
Fundou em 1854 o The Royal Panopticon of Science and Art, uma espécie de centro de ciência viva. O edifício do Royal Panopticon foi construído de raiz, com uma grande praça central, com diversos andares ao longo dos quais se distribuíam diferentes espaços. O centro da praça era ocupado por uma espetacular fonte luminosa, cujo jato atingia cerca de vinte metros de altura e uma grande máquina eletrostática com um disco de vidro de três metros de diâmetro, colocada a trabalhar por uma máquina a vapor, que produzia grandes faíscas. Havia ainda uma sala para apresentação de palestras científicas; um laboratório de fotografia, onde eram ministrados cursos; um laboratório de química; um órgão com 4004 tubos sonoros e outros atrativos.
O objetivo de Clarke era atingir as oitocentas visitas diárias. Inicialmente o Royal Panopticon era visitado por cerca de mil pessoas por dia, mas no decurso de dois anos esse número decresceu e, em 1856, entrou em falência. Edward Clarke retirou-se então para os arredores de Londres e, passado poucos anos, morreu de apoplexia no meio da rua. Depois da sua morte, os seus bens foram vendidos ao desbarato em leilão e adquiridos por outros construtores. Por exemplo, a máquina eletrostática que tinha custado duas mil libras, foi vendida por cinquenta libras.
A Universidade de Coimbra possui nas suas coleções museológicas trinta instrumentos da casa Edward M. Clarke, sendo esta a coleção mais numerosa entre todas aquelas que conseguimos identificar, em museus de todo o mundo.
Este instrumento encontra-se em exibição no Gabinete de Física.
Agulha magnética de Oersted
Edward M. Clarke, Londres, c. 1844
FIS.0831
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